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Livro: Senhora
Autor: José de Alencar
Páginas: 288
Editora: Lafonte
Classificação: 5/5

"Senhora" é um livro escrito por José de Alencar - um dos escritores brasileiros mais renomados  durante o Romantismo - escola literária que retratou a identidade brasileira - apesar da trama possuir "uma perna" no Realismo. Criticando a sociedade devido aos inúmeros casamentos por interesse, Alencar escreveu "Senhora" a fim de realizar questionamentos sociais e expor a real influência do comércio e do amor na vida das pessoas
"-- E o que é a vida, no fim das contas, senão uma contínua transação do homem com o mundo? exclamou Lemos."
A trama de Alencar relata a história de Aurélia Camargo, uma moça de origem humilde, órfã de pai e irmão, que vivia a trabalhar para ajudar sua mãe a pagar as despesas da casa - não interessando-se pelo casamento de imediato. Entretanto, devido aos protestos da mãe de que um bom casamento poderia salvá-las, Aurélia passa a exibir-se todas as tardes na janela (contextualizem o romance: em 1875, as debutantes costumavam prostar-se à janela durante a tarde para serem admiradas pelos homens. Muitas conheciam seus noivos dessa forma, vez que era comum a troca de bilhetes e mimos); desta forma, encantou a um membro da Corte - que poderia dar-lhe tudo - e apaixonou-se por Fernando Seixas - que tomou-lhe toda a paz e juventude que havia em seu coração.
Dias após tornarem-se noivos, Aurélia acaba sendo abandonada por Fernando, quem desejava uma vida de luxo e riqueza e, por isso, decide namorar uma jovem de família rica do Rio de Janeiro, e toda a sua inocência é tirada de si ao tornar-se tão amarga quanto o dinheiro que lhe privou o amor.
"Suspeito eu, porém, que a explicação dessa singularidade já ficou assinalada. Aurélia amava mais seu amor do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem."
Em uma reviravolta irônica do destino, Aurélia acaba tornando-se uma completa órfã e também uma das mais ricas mulheres da sociedade, tornando-se o centro das atenções e principal estrela dos Bailes. Como forma de rebaixar os seus pretendentes e reforçar sua desilusão no amor - em sua maioria atraídos pela sua fortuna -, atribuia um valor a cada homem que a cortejava e pagava-lhe como dote.
Em uma dessas festas, acaba revendo Fernando - que acabara de chegar de uma viagem pela Europa, ainda noivo da filha de Amaral - e tramando a sua vingança: compraria-o como marido e sujeitaria-o a viver o resto de seus dias sem amor. Com essa ideia, pede ajuda de seu tio e também responsável para que oferecesse sua mão a Fernando sem que o próprio soubesse quem era a mulher com quem se casaria, e após vê-lo atrair-se pelo dinheiro mais uma vez, transforma sua vida em um inferno e sentencia-o durante a noite de núpcias.
"Tinha sede de amor; e como não o encontrava na realidade, ia bebê-lo a longos haustos na taça de ouro (...)"
Narrando o dia a dia de um casamento de fachada, José de Alencar encanta ao leitor com uma trama simples, porém engenhosa. Ao longo do enredo, há um visível amadurecimento dos personagens e apesar das farpas trocadas entre Fernando e Aurélia, é impossível não torcer por um final feliz. 

Daniele Almeida.


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