Pesquisar

Livro: Os Segredos de Colin Bridgerton (Os Bridgertons #4)
Autora: Julia Quinn
Páginas: 336
Editora: Arqueiro
Classificação: 4/5

Sempre pensara que o amor caísse sobre as pessoas como um raio, que um dia, ao flanar por um salão em uma festa, morto de tédio, um homem deparasse com uma mulher e soubesse, no mesmo instante, que sua vida estava mudada para sempre.
Durante a resenha de Um Perfeito Cavalheiro (Os Bridgertons #3), disse que "os livros de Julia Quinn lembram-me de histórias que já li ou ouvi em algum lugar." E "Os Segredos de Colin Bridgerton", não é exceção.
Todos nós já ouvimos falar da história de uma garota que sempre esteve nos fundos da sala, afastada da diversão e recriminada por seus quilos a mais, ou mesmo sua inteligência fora de comum. Conhecemos essa história há um bom tempo, em parte porque vários filmes retratam a nerd que se apaixona pelo garoto mais popular, em parte porque queremos ser a garota do canto que é admirada pelo garoto mais bonito.
Eram olhos que dominavam os sonhos de uma moça.
E Penelope sonhava, sonhava e sonhava. 
Resumidamente: apresento a vocês Penelope Featherington, uma solteirona de vinte e oito anos que nunca fora proposta em casamento - pior do que isso, era rebaixada pela própria mãe, que não via esperança alguma na filha.
Durante suas dez temporadas, dançara algumas vezes - a maioria, porque os cavalheiros sentiam pena da menina gordinha que era obrigada a vestir as roupas exóticas e cafonas que a mãe comprava. Claro que dentre esses cavalheiros, um Bridgerton não poderia ser esquecido, e Colin fora o que chegara mais perto de uma amizade com Penelope.
Uma amizade para ele. Ela cultivava um amor esmagador pelo terceiro filho mais velho de Violet Bridgerton.
Colin Bridgerton raramente está presente na Sociedade Britânica. O terceiro Bridgerton está cosntantemente viajando pelo mundo a fim de fugir da ideia de se casar - principal objetivo de sua mãe. Na verdade, ele é um aventureiro que procura deixar a sua marca no mundo, mas diferentemente de Anthony, o responsável pela família, e Benedict, o pintor, ainda não encontrara a obra de sua vida.
Gravem bem essas palavras - "a obra de sua vida" -, pois esse será o gancho que aproximará Colin de Penelope. Isso, e o desafio criado por Lady Danbury com o propósito de desmascarar Lady Whistledown, a escritora que por uma década revolucionou a vida de diversos membros da sociedade e os alfinetou sem pudor algum.
Ouça: o amor cresce e muda todos os dias. Não é como um raio que cai do céu e transforma você num homem diferente de forma instantânea.
Apesar de se tratar de um romance de época, o enredo criado por Julia Quinn é clichê, porém adorável. Mais uma vez, ela consegue conquistar o leitor com seu humor e leitura fácil - é impossível não gargalhar em determinadas páginas ou sonhar acordada junto à protagonista. 
Além de explorar Colin Bridgerton e dar a ele um ou outro complexo (o que fazer quando se tem tudo, mas não se é nada?), Quinn ainda deu foco a outros dois personagens: Lady Danbury, uma senhora de idade um tanto intrometida que torna Penelope o "projeto de sua vida", ou seja, quer ver o final feliz da solteirona Featherington a todo custo - e Eloise Bridgerton, melhor amiga de Penelope e quinta Bridgerton.
Preciso ressaltar que o foco em Eloise abriu brecha para o quinto livro da série, romance que retratará a vida romântica da solteirona Bridgerton e terá alguma relação com cartas.
O povo daqui não tem como conhecer tal alegria. Seus dias são sempre perfeitos. É possível apreciar a perfeição quando ela é constante na vida de alguém?
"Os Segredos de Colin Bridgerton" é um romance divertido e adorável, escrito para ser lido em poucas horas e para dar mais ênfase à importância da união familiar - se vocês se lembram, na resenha de "Um Perfeito Cavalheiro" comentei sobre a importância do apoio da família Bridgerton, e no quarto volume não foi diferente. 
Além de explorar uma amizade que se transforma em amor, a autora finalmente revela quem é Lady Whistledown e rezo para que as colunas dela não parem! Vocês se surpreenderiam com quão importante as alfinetadas dela na abertura dos capítulos se tornaram.
E foi então que ele se deu conta de que Daphne estava certa. O seu amor não tinha sido como um raio caído do céu. Começara com um sorriso, com uma palavra, com um olhar zombeteiro. A cada segundo que passara na companhia dela, crescera até chegarem àquele momento, e de repente ele soube.
Ele a amava.

Daniele Almeida.


Deixe um comentário