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Livro: O Visconde que me amava (Os Bridgertons #2)
Autora: Julia Quinn
Páginas: 304
Editora: Arqueiro
Classificação: 4/5

Casar, procriar e morrer. Essa era a vida dos nobres ingleses, mesmo daqueles cujo pai e tio não tinham morrido precocemente aos 38 e 34 anos.
Na resenha anterior - tanto no que se refere à ordem de posts quanto à ordem dos livros da série de Julia Quinn -, foi comentado que casar-se por amor era um privilégio que poucos casais possuíam em 1800.
Não somente pela dificuldade em encontrar o amor verdadeiro, muitos indivíduos não consideravam o casamento por amor pela falta de praticidade. Os interesses da época envolviam um casamento e herdeiros - o amor não estava sempre incluso. Por exemplo, muitos casais dormiam em quartos separados e só compartilhavam a cama por algumas horas, durante o período fértil da mulher.
"Quando Penelope Featherington se vangloriasse de ser comparada a uma fruta cítrica por causa de seu vestido de cetim laranja, Kate poderia levantar o braço, suspirar dramaticamente e dizer: 'Sim, bem, eu sou um narciso amarelo chamuscado.'"
O motivo desta introdução pouco romântica mas extremamente necessária tem a ver com o segundo livro da série "Os Bridgertons". Seguindo a ordem alfabética, este livro narra a história de Anthony Bridgerton, o Visconde, que após viver vinte e nove anos de libertinagem, decidiu se casar. Sua decisão não foi pautada em seu amor por uma moça ou pela solidão; decidiu casar-se por conveniência e porque, segundo sua filosofia de vida, morreria com a mesma idade que seu pai: 38 anos - e com a aproximação desta data, era necessário produzir um herdeiro.
Logo, contrariando o título deste livro, o amor não era uma meta na vida do Visconde, e ele não se casara por nenhuma razão de cunho romântico. Na verdade, seu casamento fora mais um... acidente. Uma posição comprometedora provocada por uma abelha que, sem saber, uniu o Visconde à Irmã Sheffield errada, segundo os princípios do mesmo (que envolviam casar-se com alguém por quem nunca se apaixonaria. Edwina satisfazia todos os requisitos, já Kate o induzia aos mais tortuosos e apaixonantes sonhos.)
Entretanto, nunca é tarde para aprender a amar; ainda mais se a pessoa em questão for sua esposa...
- Talvez - admitiu Kate -, no entanto, temo que essa linha de pensamento não trate do verdadeiro problema em questão.
- E qual seria?
- Que um marido pode partir um coração com mais intensidade que um mero admirador.
Kate Sheffield, a futura esposa - e irmã de Edwina, a debutante mais cobiçada da temporada e também escolhida pelo Visconde - é uma jovem um tanto insegura e complexada. Apesar de não ser uma protagonista entediante - muito pelo contrário!, seus diálogos proporcionaram ótimas risadas -, acaba sabotando-se com suas incertezas sobre si mesma.
Já Anthony é o típico Bridgerton. Seguro de si, belo, irritantemente atraente e levemente arrogante, capaz de seduzir todas as jovens de um salão com um único sorriso - mas acalme-se, leitor. Ele também pode ser um tanto mal humorado e grosso, quebrando o encanto e tornando-o real.
Mas o amor era o inimigo dos mortais. Era a única coisa capaz de tornar o restante de seus anos intoleráveis - provar da felicidade e saber que ela lhe seria arrancada.
Pelo ritmo da narrativa, podemos adivinhar qual seria o conflito da história: a determinação de Anthony em não amar sua esposa. Entretanto, mais uma vez, ressalto que não podemos controlar nossas emoções e muito menos criar um escudo contra alguém que faz parte do seu dia a dia e insiste em invadir sua mente frequentemente. E pelas insinuações feitas pelo título do romance, não é difícil adivinhar qual o desfecho da história.
Outro detalhe a ser mencionado é uma pista importante sobre Lady Whistledown. Ao começo do livro, ela retrata Anthony como um Libertino com "L" maiúsculo, mas após um acontecimento em particular, passa a tratá-lo como um jovem honrado e gentil.
Ou ela é uma amiga próxima da jovem resgatada por Anthony, ou é a própria jovem, vez que a história não teve repercussão por se passar em uma casa de campo, alheia aos observadores e fofoqueiros em potencial de Londres. Façam suas apostas!
Anthony, que acabara de descobrir o que era amar, aprendeu o que era morrer por dentro.

Daniele Almeida.


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