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Livro: O Substituto
Autor: David Nicholls
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Classificação: 4/5

"-- É, bem, é bom ter sonhos, desde que não sejam irreais.
-- É, mas qual o sentido de ter sonhos realísticos?" 

Para você, o que é uma Grande Chance? Conseguir uma melhor oferta de trabalho? Passar no vestibular? Ser notado pelo garoto responsável pela ssuas noites em claro? Se apaixonar? Viver uma grande aventura? Viajar pelo mundo? Enfrentar seu passado? Reconstruir antigos relacionamentos? Aprender a amar novamente?
Qual é o propósito da sua vida? Pelo quê você está esperando nesse exato momento, enquanto pondera onde quero chegar com essa introdução? O que o motiva a seguir em frente? O que você procura?
De forma brilhante, esta é a questão central do romance de David Nicholls: a espera pela Grande Chance de Stephen.
"Fazer um bom trabalho. Encontrar a coisa que você adora, e fazê-la com todo o coração, no melhor de sua capacidade, sem se importar com o que as pessoas disserem."
Stephen C. Mcqueen é um substituto - não somente no teatro, carreira que escolheu há anos ao receber uma crítica que incentivou a sua carreira após um musical d'O Mágico de Oz; mas também na vida real, após ter se divorciado da mulher que ainda ama porque ela queria um marido que lhe desse mais segurança (financeira e profissional), ter de disputar a atenção de sua filha com o novo marido de sua ex-mulher e estar se apaixonando pela esposa do ator principal de sua atual peça, Nora Harper.
Ele é o substituto, um subordinado, alguém com pensamentos incessantes e uma mente fértil que costuma roterizar todas as chances que Stephen perdeu. E hoje, assim como ontem e assim como amanhã, espera pelo dia em que Josh Harper literalmente quebrará uma perna, possibilitando a sua grande chance profissional.
Quão desesperador é passar a sua vida esperando que o outro falhe para que possa brilhar? Senhors e senhores, bem vindos à vida d'O Substituto.
"A vida parecia sempre melhor, mais verdadeira e mais intensa, quanto mais se parecesse à vida simuladana tela: cheia de cortes e câmera lenta, tiradas ágeis e escurecimentos significativos."
Apesar de ser o personagem principal, Stephen se comporta como um coadjuvante durante a narrativa, sempre ponderando exaustivamente as decisões que deveria tomar e optando por permanecer neutro, do lado de fora, por nunca saber quando/se deveria agir.
E adivinhem só? A sua grande chance só acontece quando ele finalmente toma uma posição, uma iniciativa e decide agir; reforçando a tese que, no mundo real, nós devemos realizar nossos próprios milagres em vez de esperar por uma interferência do além. 
"-- Bem... você vai acabar aprendendo a amar outra vez -- disse Nora afinal, cutucando a mão dele.
Stephen olhou para ela.
-- É disso que eu tenho medo."
Introduzindo de forma teatral (com um misto de humor ácido) os personagens de sua trama, David apresenta suas respectivas almas sem censuras, deixando que o leitor tire suas próprias conclusões (amar ou odiar a ex-mulher de Stephen? Josh Harper é um cretino: sim ou com certeza?).
Com um enredo capaz de variar entre a comédia e a tragédia em um nanossegundo, Nicholls cativa e prende mais uma vez a atenção do leitor, não sendo possível interromper a leitura até o fim de suas 320 páginas.
Inteligente, realístico e engraçado, é o tipo de livro que não deveria ter fim.
"-- Você nunca vai interpretar o papel principal, Stephen. Esses súbitos e incríveis lampejos de sorte, eles nunca acontecem. A maioria das pessoas aprende essas coisas na vida... Por que você está demorando tanto?
-- Mas essas coisas acontecem; elas acontecem o tempo todo!
-- Não com você, Stephen. Essas coisas nunca acontecem com você."

Daniele Almeida.


4 Comentários

  1. Oi, tudo bom?! Conheci seu blog agora e gostei bastante. Já estou seguindo! ^^

    Quero muito ter uma experiencia de leitura com o David Nicholls! Adorei a resenha, parece que esse pode ser o primeiro livro para eu conhecer o autor :)
    Abraços do Dan!
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    Respostas
    1. Ei Dan, tudo bom? :)

      David Nicholls é um dos meus autores favoritos pela coragem e personalidade de suas palavras. Espero que você goste! Outro livro que é muito recomendado para primeiro contato com o autor é Um Dia, apesar de não tê-lo resenhado.
      Obrigada pelos elogios! Adorei seu comentário!

      Abraços,
      Daniele.

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  2. Nunca li nada desse autor, mas ler livros que nos levem a reflexão de vez em quando é bom. Já tinha até visto essa capa, mas nunca nem tinha me dado ao trabalho de saber sobre o que se tratava
    bjs

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  3. Ei Renata, tudo bem? :)

    Da próxima vez que precisar de um livro para refletir, já sabe uma opção (mega válida)! O interessante sobre a escrita d'O Substituto é que David nos faz ponderar sobre quantas vezes somos os coadjuvantes de nossa própria vida.
    Bjsbjs!

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