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Livro: Amy & Matthew
Autor: Cammie McGovern
Páginas: 336
Editora: Galera Record
Classificação: 3/5 

Amy e Matthew não eram amigos. Apesar de estudarem na mesma escola, só haviam conversado (ou se confrontado, dependendo da análise crítica do leitor) uma vez. Entretanto, junto a outros três adolescentes, Matthew é contratado para ajudar Amy no último ano do Ensino Médio. 
"Acho que vamos todos descobrir que não existe um único e grande teste ou maneira de nos validar no mundo. Existe apenas um longo e silencioso processo de descobrir nosso lugar nele."
Amy era uma das garotas mais inteligentes da turma. Ela passava suas férias lendo e estava adiantada em relação aos demais colegas de classe, sendo cursado matérias avançadas e extras ao longo de sua vida acadêmica. Entretanto, ela também possuía paralisia cerebral e, por consequência, não conseguia falar e a parte esquerda do seu corpo sofria constantes espasmos e estava além do seu controle. 
Por meio de um programa, ela conseguia se comunicar através de um computador. Porém ela não possuía nenhum relacionamento verdadeiro, estando sempre rodeada por auxiliares pagos para ajudá-la a lidar com as dificuldades do dia a dia, como não poder ir ao banheiro sozinha, locomover-se ou se trocar. 
Decidida a ter uma experiência o mais próxima do normal possível, ela e sua mãe, Nicole, decidem pagar outros alunos de sua série para ajudarem-na por um ano, dando início à história contada por Cammie McGovern e introduzindo as personalidades peculiares de Chloe, Sara, Sanjay e Matthew.
Matthew era tímido e recluso. Após a saída de seu melhor amigo da escola, costumava passar o almoço sozinho e estava bem assim, muito obrigado. Entretanto, além de suas compulsões - como lavar os braços 12 vezes durante o dia, evitar os ladrilhos azuis e bater contra armários -, gostava de observar as pessoas e Amy era um alvo constante. Para Matthew, a fachada de felicidade que a primeira exibia era irritante, e algo o dizia que também não era real.
"Aprendi a não julgar as pessoas por suas limitações, mas pela maneira como avançam além delas." 
De muitas formas, a paralisia cerebral de Amy e o TOC de Matthew se completavam, vez que juntos ele passaram a amadurecer e a superar obstáculos. Como mencionado no livro, eles preenchiam as lacunas um do outro e se entendiam, apesar de tomarem muitas decisões com base na insegurança e no impulso.
"É possível amar alguém por razões inteiramente altruístas, por todas as suas falhas e fraquezas, e ainda sim não ter esse amor correspondido."
Lembro-me do marketing feito pela editora Record no mês após o lançamento do romance de Cammie McGovern. Todos os blogs e mesmo a própria editora disseram que este era o novo Eleanor&Park, o que, para mim, foi algo surpreendente e promissor, vez que nenhum outro livro me tocou tanto quanto o romance de Rainbow Rowell. Entretanto, devido à falta de tempo, acabei negligenciando "Amy & Matthew" até as férias, onde teria tempo e disposição suficientes para ler, reler e decorar trechos de um livro considerado tão tocante e memorável quanto o romance publicado pela Novo Século.
Talvez minhas altas expectativas tenham sido o real problema, mas Amy & Matthew não foi nada daquilo do que imaginava; e apesar de ser, sim, inspirador, não é uma história que me marcou ou será relida e inserida na minha lista de favoritos -- pelo contrário.
O sentimento predominante ao longo da leitura foi a frustração e, em algum ponto da tama, meu único incentivo para prosseguir a leitura era a esperança de que uma reviravolta acontecesse e mudasse minhas impressões.
"(...) não acho que você tenha que cortar todos os seus relacionamentos para fugir das expectativas que as pessoas têm de você. Você pode simplesmente não fazer o que elas esperam, certo?"
Talvez o maior obstáculo para essa leitura tenha sido a narração em terceira pessoa (apesar de adorá-la, admito que alguns enredos precisam de um contato maior entre leitor e personagem), vez que captar os sentimentos dos personagens e vivenciá-los tenha sido a parte mais difícil; não digo identificar-se com eles porque isso necessitaria de alguma experiência com as situações narradas, mas sim um contato maior, um aprofundamento na mente dos personagens principais.
O romance entre os protagonistas está sempre ali, em cada página e em cada diálogo, mas, apesar de sabermos como eles se sentem, não é admitido até a última página - e ainda assim, seu final é vago e tanto decepcionante. 
Apesar de ter ressaltado os motivos pelos quais esse livro não me emocionou, o romance de Cammie McGovern é doce e inspirador, sim, e é preciso ressaltar que possui trechos maravilhosos e personagens queridos - apesar de tomarem decisões que desaprovo. 
Para duas pessoas que viveram tanto em 336 páginas, Amy e Matthew ainda possuem um longo caminho até entenderem a si mesmo e ao relacionamento construído


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