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Nome: O Nome do Vento - A Crônica do Matador do Rei - Primeiro Dia
Autor: Patrick Rothfuss
Páginas: 656
Editora: Arqueiro
Classificação: 5/5 <3


"Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de ‘Kuouth’. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir. Meu primeiro mentor me chamava de E’lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles. Mas fui criado como Kvothe. Uma vez meu pai me disse que isso significava ‘saber’. Fui chamado de muitas outras coisas, é claro. Grosseiras, na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas. Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar. Vocês devem ter ouvido falar de mim.”


Assim começa o conto de Kvothe, atualmente conhecido como Kote, o simplório proprietário da hospedaria Marco do Percurso. Sua história começa partindo da infância em uma trupe de artistas viajantes para a vida como um órfão em uma cidade repleta de crime. Depois de anos sem um objetivo além de seguir vivendo, Kvothe começa sua busca para ingressar na mais incrível das escolas de magia. 

O nome do vento acompanha a trajetória de Kote/Kvothe e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado. Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.


"Quando crianças, raramente pensamos no futuro. Essa inocência nos deixa livres para nos divertimos como poucos adultos conseguem. O dia me que nos inquietamos com o futuro é aquele em que deixamos a infância para trás."

Você consegue pensar no personagem principal através da capa. Mesmo que uma representação bem superficial de Kvothe, a figura se mostra uma boa introdução ao enredo. Em O Primeiro Dia cobrimos grande parte da história, desde a infância até o ingresso na universidade (que acabou sendo minha parte favorita da história).

Os dias fazem respeito à programação do personagem principal para que consiga contar toda a sua história para o Cronista. Três dias, foi o que Kvothe pediu ao outro homem para que consiga contar todos os detalhes necessários para ela. E Kvothe é a alma dessa história, um personagem que não o compreendemos bem, mas que é quase impossível odiar. Uma figura complexa e vivida com uma história incrivelmente elaborada.

A temática do livro de princípio não se parece tão incrível quanto se mostra no decorrer da leitura. Introduções de livros de grande porte como esse tem o costume de não serem tão agradáveis no começo. Entretanto, a história precisa começar de alguma forma e esse começo nem sempre consegue ser agradável e envolvente, mas, eventualmente, quando você realmente começa a conhecer o personagem, o livro te mantém preso até que finalize essa maravilhosa obra. 

"Sabemos como termina praticamente antes de começar. É por isso que as histórias nos atraem. Elas nos dão a clareza e a simplicidade que faltam à vida."

A escrita do autor se mostra muito detalhada, mas não de forma focada que torna o livro pesado/enjoativo/preso a determinado ponto, e sim de forma livre que deixa o leitor com a mente aberta e receptiva para o desenrolar da história, que ocorre de forma clara e animadora, sem deixar que se perca a conexão entre as duas partes da trama: passado e presente.

Um pouco diferente, por ser uma história dentro de outra. Faz-te pensar quando os capítulos se entrelaçarão e o que acontecerá com a história quando isso acontecer. Essas duas narrativas transformaram a história em algo único e incrivelmente interessante. O livro de Patrick Rothfus foi uma leitura muito aguardada que só me trouxe um único arrependimento: não ter comprado a continuação da série.


~Talita B.


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