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Livro: Eu me chamo Antônio
Autor: Pedro Antônio Gabriel Anhorn
Páginas: 192
Editora: Intrínseca
Classificação: 4/5
Quando eu era pequena, costumava rabiscar pensamentos e rimas bobas em qualquer pedaço de papel. Tinha uma fascinação imprescindível pelas palavras e seus múltiplos significados; logo, sempre tentava combiná-las de formas diferentes.
Isso gerou uma imaginação fértil, canetas sem tinta e rabiscos em todo e qualquer papel. Alguns, tenho até hoje – bloquinhos ou mesmo cadernos repletos de pensamentos e versos, coisas que não mostraria nem ao meu melhor amigo, que dirá postaria em algum lugar. No entanto, a sensação de ter meus antigos pensamentos é tão reconfortante que não me vejo jogando aqueles papéis fora. 

 Seguindo a linha de raciocínio, “Eu me chamo Antônio” é um livro formado por guardanapos com rimas, metáforas e trocadilhos. Os poemas escolhidos dentre centenas não possuem qualquer ligação entre si, a não ser a alma do poeta e o bar onde foram formulados.
Contendo ilustrações, os guardanapos não sofreram qualquer alteração tecnológica – aparente – ou sofisticação. Ao abrir o livro escrito por Pedro Antônio Gabriel, o leitor se deparará com nada menos que uma caneta preta e guardanapos uma vez guardados no bolso de uma alma livre, gerando a “poesia de boteco” que encantou milhares de brasileiros.


 A leitura é breve – há quem consiga desfrutar plenamente dos trocadilhos escritos em vinte minutos – porém a caligrafia do autor é um grande obstáculo. Talvez fosse a iluminação, talvez fosse o chope – como mencionado no começo do livro –, mas o fato é que rápida nem sempre é sinônimo de fácil, e o maior empecilho para aqueles que desejam uma leitura simples é letra um tanto ilegível do poeta. Para ser honesta, fui obrigada a deixar um ou dois guardanapos para trás por serem indecifráveis. Por sorte, o livro conta com um Sumário, possuindo todas as frases “traduzidas” em fonte padrão (graças a Deus!)
As frases derramadas em cento e noventa e duas páginas são encantadoras, de modo que acabei transcrevendo-as em bloquinhos para tê-las sempre por perto. "Eu me chamo Antônio" é um livro que repassa casualidade e intimidade, de modo que o autor crie uma conexão com o leitor por meio de poucas sílabas e muitas emoções.
Daniele Almeida.


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