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Livro: Cândido ou "O Otimismo"
Autor: Voltaire
Páginas: 160
Editora: Abril
Classificação: 3/5

"Cândido" ou "O Otimismo" é uma obra escrita pelo filósofo Voltaire que tem como objetivo criticar o otimismo exacerbado presente entre os membros da nobreza.
A história gira em torno de Cândido, um jovem ingênuo que mantém as crenças de seu Mestre, o filósofo Pangloss, de que a vida era boa e que, ao final, tudo daria certo - filosofia imposta em diversos discursos ao longo da trama, utilizando-se de expressões como "O nariz, para apoio aos óculos; as pernas, para os calções; as pedras, para os castelos. Ao barão, a melhor casa. Os porcos para serem comidos. E que tudo vai da melhor forma"
Entretanto, durante suas aulas e debates e seu otimismo pela vida, Cândido acaba apaixonando-se pela filha do Barão do castelo de Thunder-ten-tronckh, a bela Cunegundes, e se vê expulso do mais belo castelo da Westfalia - até então, seu lar.
Uma vez banido, Cândido é obrigado a enfrentar as mais diversas aventuras e a percorrer múltiplos caminhos ao descobrir que seu antigo lar foi destruído e a família de sua amada, morta e separada - sendo ela a única sobrevivente. Ao mesmo tempo, observamos a amizade de Cândido se desenvolver com Cacambo, um local que acabara lançando-se às mesmas aventuras que o otimista e os incessantes debates sobre como as aparências enganam.
"Os tolos admiram tudo num autor estimado. Eu só leio para mim; só gosto daquilo que me serve."
"Cândido" é uma crítica explícita à alta sociedade, tanto pelo otimismo quanto pela sua capacidade de criticar e desprezar todas as obras existentes com um mísero sorriso. Ao longo de suas cento e sessenta páginas, nos deparamos com diversos países, culturas e personagens cujas histórias se encontram - todos, nobres com uma boa vida que acabaram perdendo tudo em meio às rebeliões de seu respectivo povo. E em meio a tais narrativas de um ou dois capítulos, observamos as tentativas do "otimista principal" provar que todos eram felizes pois "tudo daria certo ao final"
Descrito como um personagem incapaz de tirar conclusões por si próprio e acostumado a admirar aos denominados "grande filósofos", Cândido encontra e reencontra diversos personagens no decorrer de sua jornada em busca de Cunegundes, provando que tudo pode dar errado e que as pessoas não são tão boas quanto havia pensado.
Escrito de forma simples e de fácil compreensão, a obra de Voltaire critica com bom-humor a nobreza, fazendo alusões àqueles que mais criticavam seu próprio trabalho. "Cândido" é um livro para ser lido em poucas horas e, embora possua um tema polêmico para a época, não gera tantas reflexões como esperado. 
"Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, enfim, se o senhor [Cândido] não tivesse sido expulso de um belo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegundes, se não tivesse sido apanhado pela Inquisição, se não tivesse corrido a América a pé, se não tivesse dado um bom golpe de espada no barão, se não tivesse perdido todos os seus carneiros do bom país de Eldourado, não estaria aqui comendo cidras em conserva e pistaches."

Daniele Almeida.


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