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Conto: Dia de Folga
Autor: John Boyne
Páginas: 10
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 3/5

Hawke é um soldado britânico que, assim como sugere o título, está em meio ao dia de folga de seu batalhão. Entretanto, para alguém que está acostumado a marchar pelas florestas, sempre segurando um rifle e desejando não encontrar alemães - o que significaria entrar em combate -, a calma contida na floresta não transmite paz alguma.
É véspera de Natal - ou mesmo Natal, como poderiam saber? Estão em meio à I Guerra Mundial e, contrário ao ocorrido de 1914, não há trégua alguma - e tudo o que Hawke consegue pensar é nas meias que recebeu de sua mãe, e em como deseja retornar para casa. Até que, em certo ponto, decide simplesmente afastar-se de seu grupo, sem suprimento algum, e perder-se em meio à mata até encontrar uma maneira de retornar para casa.
No entanto, quando menos se espera, o temido encontro ocorre e Hawke decide repensar em sua decisão. Afinal, o que valeria mais a pena? Um tiro de um alemão, ou o fuzilamento destinado aos covardes?
"E se isso fosse verdade, ele estaria marchando ao encontro da própria morte. Aquilo não pareceu incomodá-lo tanto assim e ele ficou preocupado que talvez estivesse ficando louco. Uma coisa dessas deveria incomodá-lo, afinal de contas."
"Dia de Folga" é um conto natalino que, ao contrário do que estamos acostumados a ver, não fala sobre amor e perdão; mas sobre o desespero, a saudade da família e a nostalgia - presentes, principalmente, nas lembranças de Hawke de momentos em família e em como ele imagina que as coisas estejam na vizinhança. 
Como quase todos os escritos de Boyne, se passa durante uma guerra histórica - no caso, a Primeira Guerra Mundial. A escrita de John não possui censuras: narra, sem escrúpulos, a jornada de soldados exauridos e sem esperanças, que se deparam com os infortúnios da Guerra. 
É um conto breve, baseado num momento de desespero e insubordinação à pátria. Possui uma leitura rápida e de fácil compreensão - apesar dos primeiros parágrafos serem um tanto confusos.
"Alguma coisa estalou em sua mente e ele percebeu que estava cheio daquela maldita guerra e decidiu não voltar. Ele simplesmente continuaria andando."
Com sua peculiaridade, John Boyne escreveu um conto natalino capaz de nos fazer refletir sobre nossas perspectivas e o quão gratos devemos ser; vez que não estamos em meio à guerra, longe da família e sem comida ou descanso. Por meio de um relato realístico que foge do drama, o autor nos faz perceber que o Natal é mais do que trocar presentes: é agradecer por estarmos vivos e em paz.

Daniele Almeida.


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