Pesquisar


Título: Making Faces
Autora: Amy Harmon
Páginas: 405
Editora: Eboo
Classificação: 4/5

"(...) Pela feiúra que eu vejo em mim, Pelo ódio e o medo.
Será que ele nos esculpe para o seu prazer, por uma razão que eu não posso ver?
Se Deus fez todos os nossos rostos, ele riu quando me fez?"
Fern sempre fora apaixonada por Ambrose Young - mais especificamente, desde o dia em que ele a ajudou a enterrar uma aranha porque seu primo, Bailey, uma vítima da distrofia muscular que convivia todos os dias com seu prazo limitado de dias, não suportava ver algo morrer. Entretanto, o mais próximo que já chegara do garoto mais cobiçado da escola, fora por meio das cartas de amor que escrevia em nome de sua amiga, Rita, que desejava conquistá-lo. 
Vivenciando a "Síndrome de Garota Feia", Fern nunca pensou que teria uma chance com Ambrose. Como poderia? Ela era conhecida por ser a menina-nada-atraente que estava sempre ajudando seu primo com distrofia muscular e lendo romances - que secretamente a davam esperanças para alguma reviravolta amorosa em sua vida.
No entanto, a única reviravolta possível foi o ataque às Torres Gêmeas e a guerra que estava prestes a acontecer. Uma guerra que seria responsável pela ruína de milhares de jovens - incluindo o próprio Ambrose. 
"- Todo mundo é um personagem principal para alguém -, teorizou Bailey, serpenteando o seu caminho através do corredor ocupado para a saída mais próxima e para a tarde de novembro. - Não existem personagens menores."
Apesar de não ser algo real, o livro poderia ser divido em duas partes: Antes da Guerra, em que o enredo era focado no colegial, nas competições de luta, nos sentimentos juvenis de Fern e nos diversos dilemas de Ambrose; e Após a Guerra, com a destruição de milhares de famílias devido à morte dos antigos amigos de Ambrose e a transformação do próprio, que acabara voltando para a casa como um veterano de guerra parcialmente desfigurado.
Analisando todo o contexto, poderíamos dizer que a história realmente começa a partir do momento em que Ambrose retorna para casa e se isola de todos. Todos, menos Fern, que acaba sendo aquela que irá quebrar o seu escudo, e Bailey, responsável pelo amadurecimento dos sentimentos dos protagonistas e entretenimento da história. 
"Making Faces" pode ser classificado como uma reescrita de "A Bela e a Fera", narrando a fixação das pessoas pela beleza exterior e sobre o quão supervalorizado isto é. Na segunda parte da história, veremos um novo lado de Ambrose - uma face destruída pela perda e pela dor e que, ainda assim, é capaz de buscar pelo amor. 
"- Eu sempre pensei que a beleza pudesse ser um impedimento para o amor - o pai de Fern refletiu.
- Por quê?
- Porque às vezes a gente se apaixona por um rosto e não pelo que está por trás disso."
A primeira parte da história é pouco cativante. Girando em torno do colegial, do drama adolescente e da promessa da Guerra, a autora não se importou em aprofundá-la, tornando-a um tanto cansativa e desmotivadora. Porém, com a Guerra e as diversas emoções envolvidas no combate - incluindo memórias e ilusões -, a história acaba tomando um novo rumo e a cada capítulo, o leitor é surpreendido com novas descobertas e com o aprofundamento do enredo. 
O romance existente entre Fern e Ambrose é envolvente e motivador, mostrando que há mais em um relacionamento do que apenas as aparências. E Bailey, alguém fundamental para a história, é um dos personagens mais apaixonantes já criado. 
"Então Ambrose manteve Fern para si mesmo, salva dentro de um canto em rápida expansão de seu coração, onde só ele sabia que pertencia a ela."
"Making Faces" é um romance escrito por Amy Harmon que retrata a perda do amor, da identidade, dos valores e de si mesmo. É um conto de amor entre uma menina capaz de ver a verdadeira beleza por alguém machucado, e entre um guerreiro destruído por uma garota nada especial que, no entanto, é a única capaz de enxergar a verdade. Este é um conto inspirado n'A Bela e a Fera que aborda a importância da amizade, o heroísmo contido nos simples atos e a porcentagem de beleza e feiura contidas em todos nós.
Sem dúvidas, uma história que o fará se apaixonar e chorar. 
"A verdadeira beleza, do tipo que não se desvanece ao lavar, leva tempo. É preciso pressão. É preciso uma resistência incrível. É um gotejamento lento, que faz a estalactite, o tremor da Terra que cria as montanhas, o constante bater das ondas que quebra as pedras e suaviza as arestas. E da violência, do furor, da fúria dos ventos, do rugido das águas, que surge algo melhor, algo que de outra forma nunca existiria.
E então nós suportamos. Temos fé de que há um propósito. Esperamos pelas coisas que não podemos ver. Acreditamos que há lições na perda, poder no amor, e que temos dentro de nós o potencial de uma beleza tão magnífica que o nosso corpo não pode contê-la." 
Daniele Almeida.
PS.: Este livro fez parte da Maratona Literária #EuTodeFérias, sendo minha quinta leitura.
O romance ainda não foi traduzido, não apresentando, portanto, título ou editora nacional. 


Deixe um comentário