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Livro: Tormento
Autor: John Boyne
Páginas: 88
Editora: Seguinte
Classificação: 2/5
"Tormento" é um livro escrito por John Boyne. No entanto, seu conteúdo poderia ser classificado como um Conto muito bem escrito, uma vez que é uma história breve baseada em apenas um acontecimento. 
Não há muito o que falar sobre o livro. Conhecido por retratar sobre a guerra, Boyne acabara fugindo de seu tema habitual e escrevendo sobre a fragilidade e a força juvenil.
Danny não sabe o que aconteceu. Sua mãe está arrasada, seu pai perturbado e há dois policiais na cozinha, dizendo que ela passou por um grande choque e, por isso, deverá ficar de repouso por algum tempo.
A verdade é que ela atropelou um menino. E apesar de não ter culpa alguma do ocorrido, seu distanciamento é o tema do livro e de como tal mudança acaba afetando seu filho, prestes a completar 13 anos; a começar pela menina ruiva que agora, dia após dia, o vigia.
"Então fechei os olhos e pensei no garotinho, e torci para ele ficar bem, mas algo me dizia que ele não iria ficar e que nada em casa voltaria a ser como antes."
Sucintamente, o escritor nos apresenta a três famílias, apesar de poucos se destacarem.
Apesar do distanciamento dos pais ser o ponto alto do livro, a crescente amizade entre Danny e Sarah, a irmã do menino atropelado, também é um fator crucial para o desenrolar da história, uma vez que tal proximidade não é bem vista por suas famílias.
A história é narrada por Danny, introduzindo-nos aos seus pensamentos confusos e, em grande parte, ressentidos. No entanto, tal escolha acabou não sendo o melhor para o leitor, uma vez que seria fundamental para a história saber como Sarah e a mãe de Danny se sentiam, já que há uma grande bagagem emocional não explorada entre as respectivas.
"Outros são tristes, e alguns são ansiosos, outros meio loucos. Somos todos inclinados a naturezas diversas."
Sou uma grande fã de Boyne e, talvez por esperar mais do livro, a leitura de "Tormento" acabou sendo uma decepção.
O livro é bom, porém sucinto e mal explorado. Vejo-o como um rascunho, pedindo para ser devidamente desenvolvido, uma vez que o final deixa a desejar com diversas perguntas pairando na cabeça do leitor e o autor acabou exagerando na tentativa de criar um ápice para o enredo.
E apesar de ser breve, não o indicaria a alguém que procura 'livros para ler em um dia'. 
"Era como se fôssemos agentes secretos, mas tivéssemos cansado de tudo e decidido simplesmente abandonar o disfarce."

Daniele Almeida.


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