Pesquisar

Livro: O Cavaleiro de Bronze II: O Portão Dourado
Autor(a): Paullina Simons.
Páginas: 430
Editora: Novo Século.
Classificação: 5/5 ()
Apaixonar-se em tempos de guerra é a pior coisa a se fazer. No entanto, quando o destino está selado e o amor é a única coisa que ainda lhe dá forças para sobreviver em meio ao caos, não há como escapar.
Seis meses após se despedir de Alexander e enterrar sua irmã, Tatiana adaptou-se à rotina de Lazarevo, uma cidade pequena cujos destroços da guerra não a derrubou. No entanto, todas as noites, ao participar do círculo de costura na praça da vila, ergue os olhos para a estrada e espera pelo militar que prometera encontrá-la.
Partindo do reencontro e da consumação de seus sentimentos, a segunda parte do primeiro livro da trilogia "O Cavaleiro de Bronze" traz, aos leitores, momentos de romance e conquistas que predizem o final aterrorizador que Paullina escreveu.
"Encontrei meu verdadeiro amor em Ulitsa Saltykov-Schedrin, quando estava sentada num banco e tomando sorvete."
"Você não me encontrou. Você nem estava olhando para mim. Eu encontrei você."
Longa pausa.
"Alexander, você estava me procurando?"
"Minha vida inteira."
Em "O Portão Dourado", o amadurecimento dos personagens é perceptível. Tatiana, que no início da primeira parte comportava-se como uma típica adolescente ingênua, demonstrou ser possuidora de uma incrível força pois, mesmo tendo perdido sua família e amigos, não desistira da luta. E Alexander, que outrora sofrera o mesmo que a amada, acabou revelando pedaços fundamentais de sua história, que fizeram com que nos apaixonássemos ainda mais pelo personagem. Em contrapartida, Dimitri, apesar de breves momentos de dignidade, não amadureceu e continuou sendo um peso morto para a trama, já que sua principal tarefa é dificultar a vida de todos ao seu redor.
Apesar de ser um romance, o livro deve ser lido com atenção - tanto para o quesito cultural quando histórico. A autora nos presenteou com um enredo rico, repleto de informações sobre a guerra e a situação geopolítica russa, um tema muito abordado entre as conversas do casal. A escrita engloba o leitor, sendo obrigatório pausar a leitura para respirar.
Além disso, apesar de ser uma história de amor, o final está longe de ser feliz. 
Algumas palavras são assim. Vidas inteiras associadas a elas. Fantasmas, vidas, êxtase e tristeza.
Confesso que essa não foi uma leitura fácil para mim. Talvez pela grande bagagem que a história traz, ou mesmo pela falta de tempo... Porém a segunda parte de "O Cavaleiro de Bronze" foi uma leitura pesada devido à grande proximidade que senti quanto à Tatia e às graves e constantes reviravoltas que o enredo possui. 
Enquanto lia os momentos felizes que Alexander e Tatiana tinham, preparava-me pelo pior, porém nenhum spoiler ou alerta foram capazes de amenizar o choque que senti ao chegar às últimas cinquenta páginas.
Paullina Simons não retratou apenas as dificuldades de um amor no tempo de guerra, ou mesmo as dificuldades de um amor que não seria bem visto pela sociedade; a autora retratou tudo aquilo que os influenciava e como cada rompante exercia uma pressão fundamental sobre os personagens. Sendo assim, posso dizer que vivi uma relação de extremo amor e ódio quanto ao livro. E que, de longe, foi a melhor leitura de 2014.
Adeus, minha canção da lua, ar que eu respiro, minhas noites brancas e dias dourados, minha água doce e meu fogo. Adeus, que você tenha uma vida melhor, torne a encontrar consolo e o seu sorriso incansável. E, quando sua face dourada se iluminar mais uma vez ao nascer do sol do Ocidente, tenha certeza de que o que senti por você não foi em vão.

Daniele Almeida.


Deixe um comentário