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Livro: Freud, me tira dessa!
Autora: Laura Conrado
Páginas: 239
Editora: Novo Século
Classificação: 4/5

Catarina nunca teve sorte no amor.
Pior do que isso, nunca se sentiu realmente amada pelas pessoas, já que sua mãe entrou em depressão logo após seu nascimento, seu pai era um homem calado demais, seu irmão mais velho morava fora, e sua irmã mais nova era a querida por todos - e também atual namorada do garoto pelo qual fora apaixonada por anos. Fora isso, todos os seus pretendentes a namorados nunca ficavam com ela por muito tempo, sempre voltando para alguma ex ou trocando-a por alguém melhor.
Isso até Rubens. Ah, não - Rubens é um cara diferente que, ainda assim a trocou por outra pessoa. Só que, desta vez, por alguém "pior".
É assim que, decidindo estar no fundo do poço e precisar urgentemente de ajuda, Cat resolve procurar um psicólogo - sempre apoiada nas crenças de Freud.
E lá ia o Muro das Lamentações. Aliás, eu tinha virado o próprio Muro, cujas fendas estavam repletas da minha armagura, tristeza e ódio do mundo. Imagens de casais apaixonados saltavam da televisão.
 Nossa protagonista de 23 anos é extremamente real - nada de mocinhas felizes demais ou chorando as mágoas, porém em busca de um final feliz que parece estar logo a caminho. Não. Até porque, como já foi comentado, final feliz não é algo comum na vida de Cat. 
Como todas nós, mulheres, ela também tem seus altos e baixos. Tem seu charme, seu encanto e sua fraqueza - bem como seu lado leve e carinhoso, e a felina dentro de si.
Reunindo uma série de experiências femininas - das mais constrangedoras às cômicas - este romance é incrivelmente divertido e realista, repleto de situações inusitadas e clichês que nos proporcionam sentimentos de descontração durante toda a leitura. 
Laura é uma autora incrivelmente talentosa que conseguiu tornar um tema banal em algo super promissor - até porque se apaixonar pelo terapeuta não é para qualquer uma!
Onde eu estava errando a mão? Por que as coisas na minha vida estavam tão emboladas? Às vezes, sentia-me velha demais; outras vezes, uma menina com problemas na escola.
 Com um leve quê de filosofia, as consultas de Catarina com o terapeuta têm grande foco na narrativa, e apesar de até mesmo as mais simples observações serem motivos de diversão, percebemos quão estamos acostumados a complicar nossa realidade e que, às vezes, mudanças são necessárias. 
Apesar de ser um chick-lit, a autora nos impressiona com a realidade, chocando-nos com as dificuldades da fase do auto conhecimento.
Nós carregamos ressentimentos sozinhos. Às vezes a outra pessoa nem sabe mais que a gente existe e ficamos ali, remoendo as mágoas.
Divertido, leve e brilhante: é assim que eu descreveria "Freud, me tira dessa!" - que é um excelente pedido para qualquer época do ano!

Daniele Almeida. 


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