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Livro: O Cavaleiro de Bronze.
Autora: Paullina Simons.
Páginas: 502
Editora: Novo Século.
Classificação: 5/5 ()
Onde comprar? Saraiva, Submarino, Americanas.

1941, ano em que Hitler violou o Tratado de Não Agressão para com a Rússia, e deu início a uma batalha sangrenta que causou a morte de milhares de soldados e o dobro de civis. Ano, também, em que Dasha, irmã da Tatiana, conheceu mais um de seus amores e jurou que este não era como os outros, porque ela realmente o amara. Ano em que Tatia esbarrara com um soldado ao ir comprar mantimentos, apaixonou-se, e descobriu que ele era o mesmo homem pelo qual Dasha suspirava todas as noites.
Os Metanov, socialistas que viviam no coração de Leningrado, não levavam a vida que pediram a Deus - em parte, porque não acreditavam na existência de um, apenas no Camarada Stalin. Viviam em um apartamento comunitário dividido com demais famílias, do qual eles detinham dois cômodos, em que sete pessoas, a princípio, se amontoavam.
No entanto, assim que a guerra fora anunciada, no dia 22 de junho, um dia antes de Tatia completar 17 anos, tudo mudou. Para começar, seu irmão gêmeo, Pasha, fora despachado para um acampamento a fim de fugir da guerra. A comida de toda a Leningrado estava evaporando. E Tatia conheceu Alexander. 
Antes de dizer seu nome a ela, tomou-lhe a mão. A pequena mão de Tania, esguia e branca, desapareceu nas mãos dele, enormes, cálidas, escuras. Ela pensou que ele devia ter ouvido seu coração através dos seus dedos, através do seu pulso, através de todas as veias debaixo de sua pele.
Como ela poderia amar o mesmo homem que sua irmã? Essa fora a guerra que Tatia e Alexander travavam todos os dias, ao apaixonarem-se um pouco mais e, no entanto, afastarem-se por não querer magoar Dasha. E como, em sã consciência, fugir do amor? 
É assim que este romance, repleto de humanidade e realidade, se segue. Com um amor construído em meio aos escombros de uma guerra, cujos amantes, em uma releitura de Romeu e Julieta tentavam a todo custo não amar-se - ato que não deu certo. Ainda mais sendo engolfados pela guerra e seu risco iminente de morte: ela, pela desnutrição, ele, pelas mãos inimigas.
Oh, andar por Leningrado noite branca após noite branca, a madrugada e o crepúsculo se fundindo como minério de platina. Tatiana pensou, virando-se para a parede, de novo, para a parede, para a parede, como sempre: Alexander, minhas noites, meu dias, cada pensamento meu. Você logo se afastará de mim, não é? E eu serei inteira outra vez, e vou me apaixonar por alguém mais, como todo mundo faz.
Minha inocência, porém, foi-se para sempre.
"O Cavaleiro de Bronze" foi uma feliz surpresa para mim. Paullina descreveu a guerra, a desesperança, a descrença e a paixão de uma forma surpreendentemente vívida, e a cada linha e página me apaixonava cada vez mais por sua escrita, por Alexander e por Tatia. 
Com uma beleza rara e poética, o romance se desenrola e, a cada conflito, o leitor acaba sofrendo junto com os protagonistas. É impossível não envolver-se e imaginar-se passeando pelas ruas de Leningrado, andando pelo Jardim de Verão e observando o Cavaleiro de Bronze em si.
Apesar de ser o foco central, o romance não ocupa toda a história. A autora nos force detalhes ricos das batalhas ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial e mostra, passo a passo, como a realidade, a bondade e a paz são frágeis e podem ser corrompidas a qualquer momento.
Não há palavras para descrever o quanto este livro me encantou. E o quanto seu final triste e palpável foi necessário, apesar de levar este coração crítico às lágrimas.
Os dias corriam, e Tatiana percebia que era muito jovem para esconder bem o que ia no seu coração, mas velha o suficiente para saber que o coração estava em seus olhos.
Honestamente, só tenho a agradecer à Paullina por possuir uma escrita repleta de humanidade, e por construir personagens tão marcantes que, apesar da dor, lutam pela fé. Tal romance deverá permanecer imortalizado no coração daqueles que o leram, e em todos os cantos de suas vidas. É impossível não se encantar e identificar.
Agora, resta-me esperar pela continuação da jornada épica e triste de Tatiana Metanova.
Por um momento, os dois se olharam. -- Coragem, Alexander -- ela sussurrou.
-- Coragem, Tatiana. 

Daniele Almeida.


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