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Nome: Ai de ti, Copabacana.
Autor: Rubem Braga.
Páginas: 207
Editora: Record
Classificação: 5/5

Eu tinha um péssimo defeito: não lia livros nacionais. É algo fútil, mas o preconceito que temos contra nossa própria cultura me aprisionou por anos. Comecei a quebrá-lo com Machado de Assis - um tanto cansativo, porém infinitamente rico. Passei a contemporâneos como Marina Carvalho e Paula Pimenta e gostei ao modo de típica adolescente apaixonada. Então, dentre as prateleiras novas da biblioteca escolar, encontrei um de Rubem Braga e selei meu destino: apaixonei-me perdida e irrevogavelmente pela literatura brasileira.
E é com espírito renovado e preconceito curado que venho-lhes falar de "Ai de ti, Copacabana".
Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito - como não imaginar que, sem querer, feri alguém?
Rubem Braga - que coincidentemente é espírito-santense como essa humilde blogueira que vos fala - escreveu uma coletânea de crônicas enquanto viajava (Rio de Janeiro, São Paulo e Chile), todas marcadas por sua percepção poética e amor pela natureza.
Retratando amenidades de forma rica, narrou experiências e sentimentos próprios, bem como pensamentos e conversas jogadas fora quando estava em seu caminho.
O terremoto ameaça a terra com seus bens, e a própria vida; sua ocorrência só pode tornar as pessoas mais amantes da vida e mais conscientes de sua espantosa fragilidade. E isso faz bem.
Falou ainda do amor, muito embora não se considerasse uma pessoa romântica. Exprimiu esse "mal da humanidade" de forma realista e subjetiva, fazendo com que corações suspirassem.
Mas no meio de tudo isso, fora disso, através disso, apesar disso tudo - há o amor. Ele é como a lua, resiste a todos os sonetos e abençoa todos os pântanos.
Mesmo sem fantasias, as crônicas conseguem ser inovadoras. Estamos acostumados a só reverenciar e declarar "magnífico" algo nunca comentado antes, menosprezando as coisas comuns. Distopias e sobrenaturais são bons exemplos disso. No entanto, Braga elevou tudo a um novo nível com suas palavras simples e aconchegantes, que merecem ser lidas sob qualquer circunstância.
De forma encantadora, somos sugados por sua escrita. Por você, Braguinha, comprarei um chapéu só para tirá-lo diante de suas palavras! 
E as angústias e renúncias, e as longas humilhações caladas? Conheci um casal de velhos bem velhinhos, que era doce de ver - os dois sempre juntos, quietos, delicados. Ele a desprezava. Ela o odiava.

Daniele Almeida.


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