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Livro: Todo Dia
Autor: David Levitham
Páginas: 280
Editora: Galera Record
Classificação: 3,5/5

A não é um menino ou uma menina, não tem opção sexual, não tem religião, não tem corpo próprio. Ele (ou ela) é uma alma que, todos os dias desde que nasceu, ocupa um corpo por dia, sempre estando preso às convenções do hospedeiro. Ele/ela nunca se importou de verdade com isso, não até conhecer Rhiannon: a namorada de um de seus hospedeiros que consegue fazer com que ele descubra o significado do amor e comece a lutar contra sua própria origem.
É assim que, um dia após o outro, A tenta voltar para ela e conhecê-la novamente, deixando com que ela saiba de seus segredos e o ame também, mesmo que sem expectativas para o futuro - se é que realmente existe um para eles.
Sinto uma ternura por essas conversas noturnas e vulneráveis, pelo modo como as palavras assumem uma forma diferente no ar quando não há luz no quarto. (...) Essas conversas me faziam acreditar que eu podia dizer qualquer coisa, mesmo quando estava escondendo tanto.
Sem ter um ponto de partida definido, Todo Dia é um romance juvenil que traz a tona o cotidiano e as inseguranças de um jovem, tratando de temas como o bullying, a bulimia, a depressão, a homossexualidade, o apaixonar-se e também as dificuldades familiares diárias. Cada corpo que A habita duela consigo mesmo sobre alguma coisa, sejam elas condições físicas, econômicas ou pessoais, que nos mostram quão complexos nós somos - e também quão duros podemos ser com a realidade. E enquanto o protagonista tenta salvá-los, acabamos encontrando saídas para nossos próprios dilemas.
Sem muitas surpresas e mistérios, Todo Dia é um livro leve e agradável - uma excelente leitura para curar ressacas literárias. Apesar do romance de A com Rhiannon ser o ponto principal, não ocupa toda a trama, de modo que o autor consiga balancear o relacionamento e os problemas do protagonista na história, sem tornar tudo cansativo ou mesmo enjoativo.
Queria que o amor conquistasse tudo. Mas o amor não conquista tudo. Ele não pode fazer nada sozinho.
Ele depende de nós para conquistar em seu nome.
Penso que David poderia ter incrementado algo à trama - que, apesar de ser um bom livro, Todo Dia deixou a desejar em alguns aspectos. Acho que, por sempre mencionar uma grande variedade de padrões de vida, esperava ver um pouco de tudo e não prender-me aos poucos e repetidos que o autor nos proporciona.
E A, apesar de ser uma alma que nunca procura interferir na vida das pessoas, acaba nos mostrando que todos somos humanos e, do mesmo modo como tendemos a bagunçar a vida das pessoas, também estamos propensos a fazer o bem.
É isso que o amor faz: que você queira reescrever o mundo. Que você queira escolher os personagens, construir o cenário, dirigir o roteiro. A pessoa que você ama senta de frente para você, e você quer fazer tudo que estiver ao alcance para tornar isso possível, infinitamente possível. E quando são apenas vocês dois a sós numa sala, você pode fingir que é assim que as coisas são, que é assim que serão.
Daniele Almeida.


2 Comentários

  1. Olá!
    Tenho tanta vontade de ler este livro. Uma amiga me falou sobre ele e agora, lendo sua resenha fiquei com mais vontade ainda...
    Adorei! Bjo, bjo, bjo!
    http://osliteratoss.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oioie!

      Leia siim! É uma história bem diferente, principalmente por se tratar de um romance, e essa nova perspectiva é bem intrigante. Depois me conte o que achou! ;-)

      Bjsbjsbjs! <3

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