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Livro: Convergente
Autora: Veronica Roth
Páginas: 526
Editora: Rocco
Classificação: 4/5

Assim como termina, o caos inicia essa estória.
Tris estava certa; o vídeo de Edith Prior mudaria tudo em que eles acreditavam ou haviam sido manipulados a. Agora, no entanto, diante da perspectiva de uma vida de mentiras e do governo de Evelyn e os sem-facção, novos levantes estão se formando e a guerra está prestes a estourar.
Unidos aos Leais, levante que planeja descobrir a verdade e não se render ao reinado sem facções da mãe de Tobias, os personagens sobreviventes desse terceiro volume são desafiados a verem e viverem o que está além da cerca - descobrindo que, assim como no lado de dentro, as mentiras estão por todo o lugar.
E eis a resposta mais simples que recebi: "Divergente" significa que meus genes estão curados. Puros. Inteiros. Eu deveria me sentir aliviada por enfim saber a resposta. Mas sinto apenas que algo está fora do lugar, uma voz no fundo da minha mente.
Pensei que "Divergente" explicasse tudo o que sou e tudo o que posso ser. Talvez eu estivesse errada.
Tendo agora como objetivo acabar com a corrupção e o controle daqueles que manipularam várias gerações de facções, os sobreviventes acabam se envolvendo em um novo conflito contra o Departamento e vários amigos que pensaram ter perdido. E em meio à pressão e ao desmoronamento, vemos identidades ruírem e personalidades mudarem diante da incerteza e da insegurança. 
Como um novo mundo poderia ser tão próximo ao antigo? Este é o desafio proposto por Veronica em cada página do volume final desta trilogia.
- Você é de Chicago? - pergunta Rafi.
Faço que sim com a cabeça, ainda encarando a rua escura.
- E agora que você está fora? Como lhe parece o mundo?
- Mais ou menos a mesma coisa - respondo. - As pessoas só estão divididas por coisas diferentes, lutando em guerras diferentes.
É intrigante o modo como os motivos que nos levam a amar este livro têm a mesma força e poder de nos fazer odiá-lo. Dentre as páginas, Roth nos mostrou a verdade por trás dos dois primeiros volumes da saga, demarcando todas as fronteiras cruzadas no caminho. No entanto, ao atingir a descoberta e encontrar um rumo dinâmico e instigante para a estória, acaba alterando também alguns personagens bem quistos (como Quatro/Tobias) que de súbito têm atitudes impensadas e nada condizentes com o que vimos nos dois volumes anteriores.
Alternando entre o ponto de vista de Tris e Tobias (uma novidade bem-vinda), a autora consegue cativar os leitores com sua inteligência e dinamismo. Caminhando entre uma linha tênue que divide a guerra dos sentimentos pessoais, vemos ideais colidirem a todo o instante e decepções se tornarem inevitáveis. 
Além disso, nos deparamos com o grande amadurecimento dos personagens - novos e velhos - e conforme presenciamos a luta interna de cada um, misturando humanidade e opressão, vemos quão realista é o contexto abordado por Veronica.
Ele é parte de mim e sempre será, e eu sou parte dele também. Não pertenço à Abnegação ou à Audácia, nem mesmo aos Divergentes. Não pertenço ao Departamento, ao experimento ou à margem. Pertenço às pessoas que amo, e elas pertencem a mim. Elas, junto com o amor e a lealdade que eu lhes ofereço, formam a minha identidade muito mais do que qualquer palavra ou grupo jamais formará.
Apesar de finalizar a leitura com grande aperto no peito, sei que cada linha contribuiu para enfatizar a crítica social e o contexto vivido pelos personagens. Poucas sagas conseguiram um final tão palpável quanto esta.
Repleto de perdas, desavenças e pequenas vitórias, Convergente é o desfecho ideal para uma distopia.
Sejam corajosos - leiam-no.
Às vezes, (ser corajoso) significa apenas encarar a sua dor e o trabalho árduo do dia a dia e caminhar devagar em direção a uma vida melhor.
Esse é o tipo de coragem que preciso ter agora.

Daniele Almeida.


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