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Livro: A culpa é das estrelas.
Autor: John Green
Páginas: 288
Editora: Intrínseca
Classificação: 5/5

Como mencionei em outro post, escolho muitos livros pela capa. A Culpa É das Estrelas foi um destes -- que comprei numa promoção da loja virtual submarino, logo após ter saído da pré-venda. Fui uma das primeiras a lê-lo, e a me apaixonar por esse enredo cativante e realista.
Agora, após tanto tempo, venho resenhá-lo a vocês, tentando decidir entre milhares de quotes marcados no exemplar surrado que fica na cabeceira de minha cama.

Hazel Grace é uma adolescente de dezesseis anos, diagnosticada com um câncer fatal na tireóide. Ainda assim, os médicos conseguiram inventar uma medicação que contém o avanço de tal (viva ao Falanxifor!), prolongando sua vida. Só que ela não é a típica protagonista grata pela vida que tem, e que vêm, por meio deste livro, descrever sua história e como venceu o problema.
Até porque, para ela, tudo na vida é um efeito colateral de se estar morrendo. Inclusive ela mesma.
Conforme o tempo passa, e a mãe decide que ela está deprimida demais por não sair de casa ou não ter amigos, Hazel acaba participando de um Grupo de Apoio para crianças com câncer, e lá conhece Augustus, um adolescente um ano mais velho, também sobrevivente do câncer, porém que, juntamente com Isaac, não é nada tipicamente grato, ou mesmo típico.
Conforme se interessam um pelo outro, trocando dicas de livros (como Uma Aflição Imperial), assistindo filmes, acompanhando o drama de Isaac, que, prestes a ficar cego por causa do câncer, perde a namorada, e procurando por respostas para o final do livro favorito de Hazel, vemos o relacionamento deles evoluir, mesmo que a narradora mantenha-se com um pé atrás, comparando-se várias vezes a uma granada.
-- Eu sou uma granada -- repeti. -- Só quero ficar longe das pessoas, ler livros, pensar e ficar com vocês dois, porque não há nada que eu possa fazer para não ferir vocês; vocês estão envolvidos demais, por isso me deixem fazer isso, tá? Não estou deprimida. Não preciso sair mais. E não posso ser uma adolescente normal, porque sou uma granada.
A complexidade do livro é de suma importância para a história, já que retrata com fidelidade a situação de pessoas que têm câncer. Não é uma história de superação, tampouco de aceitação. É um ponto de visão, de alguém que sofreu com isso, sobre o quê a doença representa na vida dela, e das pessoas ao seu redor.
Em vários momentos, me peguei pensando se reagiria do mesmo modo como Hazel, e a resposta, na maioria das vezes, foi sim. Agiria tanto quanto ela, tentando não fazer mais vítimas ao longo dos meus minutos contados não divulgados, e como Augustus, aproveitando a essência da vida.
A culpa é das estrelas é um romance bem escrito, desenvolvido, com o humor de um adolescente no auge da idade e que, poxa, está morrendo. Só que esse pequeno e último detalhe não torna o livro desagradável, mas sim nos dá uma nova visão de que histórias sobre mortes e doenças incuráveis nem sempre precisam ser mórbidas.
Elas podem ser... realísticas. E envolventes, e apaixonantes, e granadas nas vidas de leitores como eu.
Enquanto ele lia, me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para a outra. 
E uma coisa muito interessante sobre a escrita de Green, é que apesar de abordar temas similares em seus livros, a perspectiva escolhida sempre é diferente, fazendo com que repensemos e enxerguemos o outro lado da moeda.
Agora, me pergunto se ele responderia perguntas sobre o final de seu bestseller, ou se, assim como Peter Van Houten, nos deixaria no escuro, preferindo o mistério que quebra o acordo existente entre autores e leitores.


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