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Nome: A Última Música
Autor: Nicholas Sparks
Páginas: 398
Editora: Novo Conceito
Classificação: 4/5

Preciso admitir que, antigamente, quando pensava em Nicholas Sparks, a palavra "mesmice" vinha à minha mente. De um tempo para cá, algumas de suas histórias tornaram-se extremamente repetitivas, sempre contando com os impecilhos para que o casal não terminasse junto de modo algum. Sendo assim, acabei por negligenciar A Última Música, que ganhei em meu aniversário. Isso, até semana passada. E preciso contar a vocês o quão me surpreendi com o livro.
Ronnie é uma adolescente que, após o divórcio do pais, acabou fechando-se para o mundo. Tinha um forte laço com o pai, que era guiado pela música, mas após a mudança de seu pai para o sul, prometeu a si mesma nunca mais tocar piano novamente, bem como começou a agir de forma impulsiva, mesmo que conhecesse seus limites e não os ultrapassasse. Porém, isso não se aplicava ao furto.
Porém, após três anos ignorando o pai, não se importando com as intenções da mãe, mas ainda assim sendo a mesma irmã mais velha para Jonah, é forçada a passar as férias na casa do pai. E é quando finalmente percebemos o quanto ela saiu prejudicada do divórcio, mesmo que isso não fosse visível.
O amor é frágil, Ronnie. E nem sempre cuidamos dele muito bem. A gente se vira e faz o melhor que pode, e torcemos para que esta coisa frágil, sobreviva apesar de tudo.
 Com o tempo, Ronnie se reaproxima do pai, mesmo após fazê-lo se livrar do piano (e preciso dizer que fiquei realmente irritada nessa parte. Tudo bem que para ela era apenas uma tentativa de fazê-la voltar a ser aquilo que fugia de; mas, na verdade, era apenas o que fazia seu pai se sentir bem), e, após esbarrar-se com o cara perfeito num jogo de vôlei na praia e fazer amigos, outra acusação de furto é feita contra ela. Só que, dessa vez, foi uma armação.
A partir daí, a história se baseia no avanço de seu relacionamento com Will -- que estava cansado dessa obsessão por posição social e status, bem como de seus amigos e do segredo que tem que carregar para proteger um deles; porém isso não o torna menos envolvente. Pelo contrário, aliás -- e em como Ronnie se sentia com a reaproximação da família e com a chegada do julgamento. Principalmente quando sua amiga se recusa a confessar o que realmente houve por causa da ameaça do "vilão" da história, Marcus.
O ritmo do desenrolar é estável até que temos o momento em que o verdadeiro motivo para que Jonah e Ronnie tenham sido levados até a casa de seu pai é revelado, e com isso todas as expectativas de Ronnie acabam por ruir.
Às vezes é preciso se afastar das pessoas que você ama, mas isso não quer dizer que você os ama menos, às vezes, você os ama ainda mais...
Afinal, ela deve tomar conta do pai, e, enquanto planeja permanecer com ele, vê as férias acabarem, Will ter de ir para a faculdade (e com isso o iminente fim do namoro), o julgamento se aproximar, e toda a culpa por ter passado esses três anos distante da família finalmente a atinge.
Diferentemente de outras histórias, em A Última Música, Sparks retratou essa reviravolta com sutileza e ainda assim realidade. Eu consegui acompanhar a montanha-russa que envolvia Ronnie, e principalmente me identificar com ela. O modo como a escrita te cativa, e, em vários momentos, te emociona fez com que eu me lembrasse do real motivo de ter me apaixonado pelas histórias de Nicholas.
E mesmo que o final seja uma cena casual, porém repleta de emoções, surpreendeu a muitos leitores por não ser o que esperavam (positivamente, é claro).


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