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Quando você cursava o colegial, fez diversas amizades. Entre elas, houve aquela (ou haverá, dependendo da sua idade) que se sobressaltou: você e sua amiga(o) faziam tudo juntos e eram inseparáveis, sendo confundidos diversas vezes pelos próprios professores. Certo ou errado?
Entretanto, o tempo - tanto amigo quanto inimigo - nega-se a dar um ou mais momentos de amizade a vocês e, seja qual for o motivo, o companheirismo do colegial acaba se perdendo.
Alguns amigos somem, outros mantêm o telefone ou mesmo [e futuramente] o whatsapp. Porém aquele contato face a face já está comprometido, esquecido, abandonado. Por mais que vocês troquem cartas e prometam que irão se ver todas as semanas, a vida passa e os dias se acumulam, e nunca há tempo suficiente para uma ida ao cinema ou uma visita casual.
Quase quarenta anos se passam: você encontra o primeiro amor, conclui a faculdade, conhece lugares exóticos, decide se casar, se muda para outro estado, constitui uma família, educa seus filhos e observa-os seguir os mesmos passos que você. Sua vida chegou a um ponto morto, em que você não possui preocupações ou obrigações mais: a sua vida é boa, seus filhos têm sua própria família e esta é a hora em que você deve aprender a sentir o momento; a reviver fortes emoções.
E reviver amizades? Será que agora a ida ao cinema, o "cafezinho" no fim da tarde, a reunião da turma de "Mil-novecentos-e-bolinha" finalmente acontecerá?

O post de hoje é baseado em um momento presenciado. Como vocês sabem, ainda estou no colegial -- logo, estou longe de perder contato com a minha melhor amiga, e mais ainda de me casar e começar uma família. Entretanto, a minha mãe, não.
Este último sábado de março tinha tudo para ser um dia banal: eu teria prova na escola, organizaria minha estante (que estava implorando por alguma atenção há semanas), escolheria três filmes para a tarde e prepararia algum post para o "Um Livro&Eu". Porém, após a organização da estante minha rotina foi drásticamente alterada pela premissa da visita de uma antiga amiga da minha mãe (a última vez em que elas se viram, possuíam a minha idade. Trinta e sete anos se passaram, e o carisma juvenil ainda reinava durante o reencontro).
O meu objetivo ao compartilhar um pedaço da minha alegria com vocês é fazê-los refletir: Como seria perder o contato com o seu melhor amigo e, quase quarenta anos depois, revê-lo? Receber uma ligação de uma pessoa extremamente querida e há muito esquecida, dizendo que a encontraria em breve e que esperava retomar aqueles anos gloriosos e repletos de euforia, companheirismo e piadas internas? 
Como você reagiria? Cederia aos impulsos capitalistas e diria que, sinto muito!, não tem tempo porque precisa finalizar aquele relatório, estar naquela reunião, planejar alguma aula? Ou contaria as horas até rever uma pessoa que outrora significava (sabendo que, em breve, significará novamente) muito?
Muitos devem pensar, a essa altura, que não terão a chance de vivenciar um momento assim porque não perderão o contato. Eu protesto.
A vida é como o mar: as ondas vêm e vão em seu próprio ritmo, marcando a passagem do tempo, carregando partes e lembranças com a sua partida e trazendo novas e desconhecidas ondas com a sua chegada. Tudo pode mudar. 

Caso hoje, um dia qualquer, você leia esse post e lembre de alguém: um nome, um telefone, um rosto... Ou mesmo a vaga impressão de que tivera momentos assim quando jovem, pegue o telefone e ligue para a pessoa. Tente encontrá-la. 
Às vezes - e por experiência própria, novamente -, amizades são mais fortes do que laços sanguíneos. Sempre haverá intrigas e mentiras em meio a parentes, mas nunca entre bons amigos. 
Conserve-os, lembre-os, reencontre-os. E, ao revê-los após tantos anos e abraçá-los, reencontre e liberte uma pequena parte de si mesmo que ficara presa naquela última fotografia de sua formatura.

Daniele Almeida


Você já considerou fazer uma tatuagem? Eu já. 
Quando pensamos em marcar a nossa pele para sempre, eternizar algum símbolo que nos represente, conviver com uma mensagem todos os dias e com todos os humores, tentamos sempre enumerar as possíveis candidatas a marcarem a nossa pele. 
Quando mais nova, cogitava tatuar frases marcantes, mensagens, um ditado popular que combinava com a minha vida - hoje, apesar de não ser uma louca por tatuagens (se eu tivesse a coragem de eternizar algo em minha pele, seria uma ou duas e fim. Tenho nervoso em pensar em uma agulha pintando a minha pele, urgh!), sempre penso que tatuaria algo relacionado à literatura. 
E como a curiosidade é um animal que anda ao nosso lado vinte e quatro horas por dia, frequentemente procuro desenhos para o futuro. O post de hoje é para ilustrar esse desejo presente em alguns leitores e também para fugir da rotina - resenhas, reviews, resenhas, reviews. Literatura é tão mais do que falar sobre livros. 
Prontos?



Daniele Almeida.



"Tess, Tess, Tessa,
Tem algo mais bonito que o som do seu nome? Só de dize-lo faz meu coração tocar como um sino. Coisa estranha de se imaginar, um coração tocando, mas quando você me toca é isso que eu sinto. Como se meu coração estivesse tocando no meu peito e todo o som ecoa pelas minhas veias e enche meus ossos de alegria."
Caso você, caro leitor, tenha se escondido em uma caverna nos últimos anos, sem acesso à internet ou aos jornais, temo dizer que provavelmente não ouviu falar do Mundo Shadowhunter (que não, não é um novo planeta ou dimensão recentemente descobertos.) O Mundo ShadowHunter engloba, até o momento, duas séries já publicadas e uma em construção - além de spin-offs.
Ou seja, assim como Harry Potter, uma autora foi audaciosa o suficiente para criar um novo universo; e no caso da Cassandra, envolvendo seres sobrenaturais e passagens bíblicas.
Deste universo, surgiram As Crônicas de Bane, O Codex do Caçador de Sombras, a série Os Intrumentos Mortais e a trilogia As Peças Infernais - sendo esta última tem do post de hoje.
 
Anjo Mecânico 
Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Claire. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo.
 
Príncipe Mecânico 
Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.

Princesa Mecânica 
Continuação de Príncipe mecânico, “Princesa Mecânica” é ambientado no universo dos Caçadores de sombras, também explorado na série Os Instrumentos mortais, que chega agora ao cinema. Neste volume, o mistério sobre Tessa Gray e o Magistrado continua. Mas enquanto luta para descobrir mais sobre o próprio passado, a moça se envolve cada vez mais num triângulo amoroso que pode trazer consequências nefastas para ela, seu noivo, seu verdadeiro amor e os habitantes do Submundo.




Nesta trilogia, Cassandra Clare transporta o leitor para Londres em 1878, narrando a história de William Herondale e Jem Castairs - caçadores de sombras, amigos e parabatai: ligados pelo laço mais poderoso do mundo - e Theresa Gray, até o começo de Anjo Mecânico considerada humana.
Tessa é uma garota de dezesseis anos que passou os últimos treze anos de sua vida sufocantemente superprotegida por sua tia após a morte de seus pais em um acidente de carro. Ela viveu quase toda sua vida mergulhada em livros e sonha em se tornar uma heroína tão poderosa quanto as que lê a respeito. Claro que as palavras - no caso, os pensamentos - têm poder, e Tessa é praticamente convocada a  Londres por seu irmão, Nathaniel, após a morte de sua tia, apenas para descobrir que ele foi sequestrado pelas Irmãs Sombrias e que há um misterioso homem - o Magistrado - atrás dela.
"Se ninguém se importa com você, será que você sequer existe?"
Will é o tipo de homem com quem uma jovem não deveria se envolver. Cresceu no Instituto, longe de sua família, e apesar de ser grato pelo amor que Charlotte Branwell dedicou a ele, possui uma postura de odiar a tudo e a todos - um escudo que criara com o mundo desde que tivera de abandonar seus pais e irmã. Entretanto, todos os escudos possuem um ponto fraco e o de Will é Jem, seu parabatai.
Quer dizer, seus pontos fracos são Jem e Tessa - a menina assustada que é resgatada em uma de suas missões e temporariamente abrigada no Instituto.
Jem, apesar de ser um dos personagens mais adoráveis já criados, possui uma vida amaldiçoada: seus pais foram mortos por um demônio chamado Yanluo, que permitiu que Jem vivesse, mas com um preço terrível a ser pago: ele teria de tomar uma droga que o mata lentamente. Assim como Will, também se apaixona por Tessa - entretanto, não sabe dos sentimentos de seu melhor amigo pela jovem.
"A maioria das pessoas tem sorte se encontra um grande amor na vida. Você encontrou dois."
De uma forma ou de outra, é impossível escolher um lado neste triângulo amoroso. Will e Jem são apaixonantes e perfeitos para Tessa de formas diferentes, e Tessa completa e ama a ambos de forma igual.
Devido à rivalidade entre seres do submundo (vampiros, bruxos, lobisomens, fadas, feiticeiros etc) e caçadores de sombras (responsáveis por proteger meros mortais como nós de demônios e abençoados pelo sangue do Anjo), abrigar uma das feiticeiras mais poderosas em seu Instituto, mesmo que ela não tenha noção desse poder, é praticamente um ato de traição.
Apaixonar-se por ela? Suicídio.
E este é só o primeiro drama enfrentado pelo triângulo amoroso da história.
"- Você é solitário - Tessa respondeu. - Cercou-se de criaturas que não são reais, que não vivem. Vemos nossas próprias almas nos olhos de outros. Há quanto tempo você não vê que tem uma alma?"
"As Peças Infernais" é praticamente uma versão 3.0 de "Os Instrumentos Mortais". Seu enredo é melhor estruturado e seus personagens, melhor construídos. Mesmo tendo a metade do tamanho, possui o dobro em afeição e fãs. É uma trilogia que possui diversos plots e é capaz de conquistar o leitor nas primeiras cem páginas de "Anjo Mecânico". Nesta série, diversos personagens são introduzidos - personagens também presentes em Os Instrumentos Mortais - e conflitos mencionados na outra série, explicados.
Seu desfecho é um partidor de corações e uma festa - tudo ao mesmo tempo. Quem leu entenderá que não há uma escolha a ser feita, e não há amores maiores que outros. Há o amor e somente o amor, e o tempo. Há uma jovem que descobrira ser uma feiticeira, casara-se, fora feliz e décadas depois reencontrara seu outro primeiro amor de uma forma inesperada e inexplicável.
Obrigada por escrever tão brilhantemente maravilhoso, Cassandra Clare!

Daniele Almeida

OBS: No Brasil, a trilogia "As Peças Infernais" foi publicado pela Editora Record.
OBS 2: Feliz (2.0) aniversário, Litatita ♥



No início de agosto a Daniele postou uma resenha sobre um livro chamado “O Diário secreto de Lizzie Bennet” e se você perdeu esse post é só clicar bem AQUI 


“O Diário Secreto de Lizzie Bennet” é baseado na história da websérie “The Lizzie Bennet Diaries” que foi lançada em 9 de abril de 2012, produzida por Hank Green e Bernie Su e finalizada em 28 de março de 2013 , contendo no total 100 episódios.

“The Lizzie Bennet Diaries” é uma releitura bem moderna do clássico “Orgulho e Preconceito”, da autora Jane Austen e foi meu primeiro encontro com o mundo das webséries.

Quando comecei a assistir já havia feito um ano desde seu último episódio, então já consegui ver com legenda em português o que é muito menos trabalhoso. Durante essa “maratona” fiquei tão ligada na trama que teria assistido tudo em um único dia, se não houvesse aula na manhã seguinte.

Passei grande parte da série ansiosa para o aparecimento do nosso querido Darcy, tão comentado, mas nunca visto, e sofrendo com essa espera. A história é divertida, animada e envolvente, que deixa ser impossível não se apaixonar. Seu desenvolvimento te prende do começo ao fim e te faz sentir-se como um membro da história.

Cada episódio tem em média CINCO MINUTOS, então é tudo muito rápido e não tem desculpa para você –querido leitor- não começar a assistir.


Um pouco sobre a série


Na série, Lizzie é uma estudante universitária de comunicação em massa. Tem duas irmãs, Jane e Lydia. As jovens moram com seus pais, incluindo uma mãe super preocupada em arranjar um bom casamento para suas filhas.

Sua mãe entra em êxtase quando o rico, solteiro e estudante de medicina Bing Lee se muda para a vizinhança junto com sua irmã, Caroline, e seu melhor amigo, também super rico e solteiro, Willian Darcy. E ter esses novos moradores na casa em Netherfield irá trazer um pouco de drama para a vida dos Bennets. 


Personagens


Lizzie Bennet a narradora da maioria dos vlogs é interpretada por Ashley Clements e acredita fortemente que as mulheres devem fazer mais com suas vidas do que simplesmente buscar maridos.

Jane Bennet é a mais velha das filhas Bennet. Ela é incrivelmente calma, educada e um pouco doce demais, enquanto a mais jovem das irmãs Bennet, Lydia Bennet, é a mais energética delas.

Charlotte Lu é a melhor amiga de Lizzie e a diretora/editora do seu vlog. Charlotte quer ser uma cineasta e convence Lizzie a começar seu vlog, como parte de um projeto da faculdade.
Bing Lee é um futuro médico, jovem e rico, que se mudou para a casa de Netherfield no mesmo bairro da família Bennet.

Ricky Collins é um ex-colega de Lizzie e Charlotte. Ele recebeu uma grande soma de dinheiro e está tentando incursão no mundo dos vlogs.

William Darcy é o melhor amigo Bing Lee e o herdeiro rico de uma empresa de entretenimento. Ele estava hospedado com o Bing e Caroline, a irmã de Bing Lee, em Netherfield. 


Ler o livro ou assistir a série?


Os dois. Você pode decidir. Ler o livro primeiro ou ver primeiro a série ou os dois ao mesmo tempo. Mas leia E assista, porque você pode acabar perdendo algumas coisinhas básicas, por exemplo: se apenas assistir a série você perderá a oportunidade de ler A MARAVILHOSA CARTA DO DARCY – SIM, TEM NO LIVRO- e o que acontece depois do 100º episódio. Se por acaso decidir só pelo livro perderá os atores maravilhosos que compõe o elenco da websérie e, principalmente, o teatro de fantasia que Lizzie faz quando conta alguma história.


Spin-Offs


Além de "The Lizzie Bennet Diaries" existem outros vlogs dos personagens da série, alguns deles são citados durante a história e são paralelos aos acontecimentos. Os dois que acontecem paralelamente e contem conteúdo que completará sua experiência com essa websérie são:

The Lydia Bennet : Narra as aventuras da irmã Bennet caçula, Lydia. O blog só é mantido sempre que Lizzie e Lydia são separadas uma da outra. Teve 29 episódios.

Pemberley Digital: Com a irmã mais nova de Darcy, Gigi, como anfitriã, Pemberley Digital publica videos demonstrativos para promover um aplicativo chamado "Domino". Teve 6 episódios.

~Talita B.


Livro: Os Segredos de Colin Bridgerton (Os Bridgertons #4)
Autora: Julia Quinn
Páginas: 336
Editora: Arqueiro
Classificação: 4/5

Sempre pensara que o amor caísse sobre as pessoas como um raio, que um dia, ao flanar por um salão em uma festa, morto de tédio, um homem deparasse com uma mulher e soubesse, no mesmo instante, que sua vida estava mudada para sempre.
Durante a resenha de Um Perfeito Cavalheiro (Os Bridgertons #3), disse que "os livros de Julia Quinn lembram-me de histórias que já li ou ouvi em algum lugar." E "Os Segredos de Colin Bridgerton", não é exceção.
Todos nós já ouvimos falar da história de uma garota que sempre esteve nos fundos da sala, afastada da diversão e recriminada por seus quilos a mais, ou mesmo sua inteligência fora de comum. Conhecemos essa história há um bom tempo, em parte porque vários filmes retratam a nerd que se apaixona pelo garoto mais popular, em parte porque queremos ser a garota do canto que é admirada pelo garoto mais bonito.
Eram olhos que dominavam os sonhos de uma moça.
E Penelope sonhava, sonhava e sonhava. 
Resumidamente: apresento a vocês Penelope Featherington, uma solteirona de vinte e oito anos que nunca fora proposta em casamento - pior do que isso, era rebaixada pela própria mãe, que não via esperança alguma na filha.
Durante suas dez temporadas, dançara algumas vezes - a maioria, porque os cavalheiros sentiam pena da menina gordinha que era obrigada a vestir as roupas exóticas e cafonas que a mãe comprava. Claro que dentre esses cavalheiros, um Bridgerton não poderia ser esquecido, e Colin fora o que chegara mais perto de uma amizade com Penelope.
Uma amizade para ele. Ela cultivava um amor esmagador pelo terceiro filho mais velho de Violet Bridgerton.
Colin Bridgerton raramente está presente na Sociedade Britânica. O terceiro Bridgerton está cosntantemente viajando pelo mundo a fim de fugir da ideia de se casar - principal objetivo de sua mãe. Na verdade, ele é um aventureiro que procura deixar a sua marca no mundo, mas diferentemente de Anthony, o responsável pela família, e Benedict, o pintor, ainda não encontrara a obra de sua vida.
Gravem bem essas palavras - "a obra de sua vida" -, pois esse será o gancho que aproximará Colin de Penelope. Isso, e o desafio criado por Lady Danbury com o propósito de desmascarar Lady Whistledown, a escritora que por uma década revolucionou a vida de diversos membros da sociedade e os alfinetou sem pudor algum.
Ouça: o amor cresce e muda todos os dias. Não é como um raio que cai do céu e transforma você num homem diferente de forma instantânea.
Apesar de se tratar de um romance de época, o enredo criado por Julia Quinn é clichê, porém adorável. Mais uma vez, ela consegue conquistar o leitor com seu humor e leitura fácil - é impossível não gargalhar em determinadas páginas ou sonhar acordada junto à protagonista. 
Além de explorar Colin Bridgerton e dar a ele um ou outro complexo (o que fazer quando se tem tudo, mas não se é nada?), Quinn ainda deu foco a outros dois personagens: Lady Danbury, uma senhora de idade um tanto intrometida que torna Penelope o "projeto de sua vida", ou seja, quer ver o final feliz da solteirona Featherington a todo custo - e Eloise Bridgerton, melhor amiga de Penelope e quinta Bridgerton.
Preciso ressaltar que o foco em Eloise abriu brecha para o quinto livro da série, romance que retratará a vida romântica da solteirona Bridgerton e terá alguma relação com cartas.
O povo daqui não tem como conhecer tal alegria. Seus dias são sempre perfeitos. É possível apreciar a perfeição quando ela é constante na vida de alguém?
"Os Segredos de Colin Bridgerton" é um romance divertido e adorável, escrito para ser lido em poucas horas e para dar mais ênfase à importância da união familiar - se vocês se lembram, na resenha de "Um Perfeito Cavalheiro" comentei sobre a importância do apoio da família Bridgerton, e no quarto volume não foi diferente. 
Além de explorar uma amizade que se transforma em amor, a autora finalmente revela quem é Lady Whistledown e rezo para que as colunas dela não parem! Vocês se surpreenderiam com quão importante as alfinetadas dela na abertura dos capítulos se tornaram.
E foi então que ele se deu conta de que Daphne estava certa. O seu amor não tinha sido como um raio caído do céu. Começara com um sorriso, com uma palavra, com um olhar zombeteiro. A cada segundo que passara na companhia dela, crescera até chegarem àquele momento, e de repente ele soube.
Ele a amava.

Daniele Almeida.